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"Venda sonhos, não produtos"


Um casal que chega ao estúdio de um fotógrafo, o faz não

exatamente com uma certeza. O faz pela expectativa. É fato que alguém,

na maioria das vezes, indicou o profissional. O casal talvez o

tenha visto em ação na cerimônia de amigos. Certamente, viu o portfolio,

sabe do que é capaz. Trata-se de uma garantia. É com base nisso

que irão assinar um contrato, muitas vezes pagando no ato por algo

que só terão depois de um ano. Pagam por uma promessa.

Como disse antes, casamento é assunto de sonhadores. Os

noivos empenham-se numa aventura de meses, lidando com os mínimos

detalhes para que tudo esteja perfeito no grande dia. Enquanto

ele não chega, tudo o que podem fazer é planejar – e sonhar. Nem

todo casal é igual, naturalmente, há alguns mais pragmáticos. Mas

o desejo de sair bem nas fotos é comum a todos. E os que sonham

mais farão questão de guardar muito mais lembranças daquele dia,

consumindo muito mais fotografias.

Porém, muita coisa acontece em doze meses. O imponderável

pode dar o ar da graça nesse meio-tempo. Quantas reviravoltas

não ocorrem num virar de folhas do calendário? Na vida de um

fotógrafo, isso pode significar aprimoramento, mudanças no estilo,

mudanças de ambiente, de equipe, investimentos e experiência. Outras

coisas bem menos positivas podem ocorrer, também. O que é

imutável em tudo isso é o compromisso que assumiu. Sua presença

naquela igreja, na data e hora marcados, é inadiável.

Portanto, há muita responsabilidade envolvida. O profissional

precisa estar capacitado a fazer, no mínimo, o que foi acordado um

ano atrás. Precisa se manter ativo. Mais importante: precisa se manter

criativo, de modo que possa superar a expectativa do cliente. Se

é de sonhos que estamos falando, ele deve proporcionar uma experiência

única, na postura, no relacionamento, na condução da cobertura,

até a entrega do material .

Everton Rosa

criatividade na fotografia decasamento